Crise do petróleo

Crise do petróleo e a queda da Petrobrás: entenda a relação

No final de semana que antecedeu a segunda-feira do dia 09 de março, uma notícia envolvendo a produção de petróleo mundial gerou grandes oscilações na Bolsa de Valores brasileira, incluindo as ações da Petrobras, PETR3 e PETR4. Sem acordo entre Arábia Saudita e Rússia, duas potências quando o assunto é exportação de petróleo, o preço do barril caiu e, com isso, as bolsas de todo o mundo e as petroleiras despencaram.

Quer entender melhor a relação entre a crise do petróleo e a queda da Petrobras? Leia o nosso artigo e saiba mais sobre o assunto!

O papel da OPEP 

OPEP significa Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Apesar do nome, só 42% da produção de petróleo mundial é produzida pelos países membros da OPEP.

A Rússia, por exemplo, é a terceira maior produtora de petróleo e a segunda maior exportadora de petróleo do mundo. Mesmo assim, ela não faz parte da OPEP.

No entanto, ainda que não faça parte, a OPEP tem tratado a Rússia como aliada, porque a organização sabe que, sem o peso da Rússia, as decisões da OPEP possuem menor força para afetar de maneira efetiva os preços do mercado de petróleo mundial. Devido a isso, ao se determinar qual será a produção de petróleo dos países membros, por exemplo, tenta-se primeiro chegar em um acordo entre os produtores que fazem parte da OPEP e a Rússia.

A baixa pela demanda de petróleo

O mercado de produção do petróleo é de alta concorrência, uma vez que o barril de petróleo é negociado como um commodity, ou seja, produtos que são produzidos em quantidade, sendo indiferente a sua nacionalidade. Com a escalada da pandemia do coronavírus, notou-se uma significativa redução na demanda por petróleo, já que os níveis de produção e consumo globais se reduziram

Com isso, foi sugerido pela OPEP que os países produtores de petróleo diminuíssem a sua produção. Assim, o preço da commodity aumentaria. No entanto, a Rússia, já incomodada com a escalada da produção de petróleo Americana, não topou o acordo. É importante ressaltar que uma parte relevante da extração de petróleo Americana possui um custo de produção elevada, assim, uma queda nos preços dos barris é extremamente danosa para essas empresas.

A Arábia Saudita, como medida de retaliação à falta de acordo, aumentou a sua produção drasticamente, abaixando o preço do petróleo a um patamar bem mais competitivo que o estabelecido pela Rússia. Com o preço baixo e muito petróleo disponível, a Arábia Saudita tiraria da jogada outros produtores e garantiria uma maior parcela do mercado mundial. 

Consequências da crise do petróleo

A diminuição dos investimentos estrangeiros

Quando há qualquer vestígio de uma crise econômica, como a crise do petróleo, os estrangeiros tiram o seu capital dos países emergentes por serem mais instáveis e apresentarem maior risco. Com o movimento de aversão a risco, os investidores internacionais já tiraram muito dinheiro da Bolsa Brasileira neste mês de março. De acordo com alguns especialistas, a pandemia do coronavírus, somada a outros conflitos como a crise do petróleo, podem reduzir em até 15% o investimento estrangeiro direto.

A desvalorização do Petróleo

A queda do petróleo de 48% não é prejudicial apenas para a Rússia, como para todos os países cuja economia gira em torno da exportação de petróleo. Hoje em dia, existe muito petróleo “sobrando” no mundo. Esse excesso na oferta pode prejudicar economias de países produtores de petróleo como México, Venezuela e até o Brasil (que é o oitavo produtor mundial).  

A desvalorização das petroleiras

A medida tomada pela Arábia Saudita afeta diretamente a receita não só da Petrobras, como de outras petroleiras como a Shell e a Chevron. Essa é, inclusive, a maior queda do petróleo desde a Guerra do Golfo, em 1991. 

Dizemos isso porque, com o petróleo mais barato, as petroleiras podem perder dinheiro na exportação. Afinal, grande parte delas possui uma política de paridade com os preços no mercado internacional. Então, é repassado para as distribuidoras o preço que é adotado internacionalmente para o petróleo. 

Mas raramente o custo de produção do petróleo é o mesmo entre os países. O custo de produção do petróleo no Brasil, por exemplo, é um dos mais altos do mundo. Portanto, se o petróleo é negociado muito abaixo do valor que está sendo negociado hoje, a Petrobras pode ter um grande prejuízo.

E agora, o que fazer?

É difícil saber o que fazer em um momento de alta volatilidade do mercado financeiro, como o que estamos vivenciando. Não existe uma resposta definitiva para essa pergunta, porque as possibilidades são inúmeras.

Para aqueles investidores mais conservadores, que não querem arriscar o seu dinheiro, é possível tirar esse momento para estudar sobre investimentos e praticar operações em um simulador de Bolsa de Valores. Já para os investidores mais acirrados, é possível utilizar técnicas como operar vendido, investir no mercado de opções, ou mesmo investir mais a longo prazo, já que especialistas acreditam que essa cotação mais baixa do petróleo não vai durar por muito tempo. Além disso, é bastante provável que grandes empresas do índice Bovespa como a Petrobrás se recuperem depois que a crise passar.

Nessas horas, também é fundamental que o investidor saiba fazer uma gestão de risco eficiente e tenha controle emocional na hora de investir. Caso você queira se aprofundar nesse assunto, você pode baixar a nossa apostila gratuita sobre controle emocional e gestão de risco. Boa leitura!

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