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7 lições fundamentais de Daniel Kahneman sobre Psicologia Econômica

9 minutos para ler

Há vertentes científicas que se dedicam a estudar a psicologia econômica dos seres humanos. Isso porque as decisões econômicas que nós seres humanos tomamos não são simples e tampouco baseadas apenas em conhecimento de mercado. Inclusive, quem dera se fossem!

Tudo indica que respeitar a matemática do mercado é um trabalho árduo para nós, seres humanos. Mais do que árduo, muitos especialistas diriam que é contraintuitivo. Afinal, as nossas decisões econômicas são muito baseadas também nas emoções.

Quem é Daniel Kahneman?

Daniel Kahneman é especialista em ciência cognitiva e autor do bestseller Rápido e devagar – duas formas de pensar, já ganhou um Prêmio Nobel de Economia em 2002. Sua contribuição a essa área de estudo se dá principalmente por mostrar o modo como o homem tende a agir instintivamente, independente de sua capacidade técnica.

Daniel é formado e especializado em psicologia e um dos setores mais atingidos pelos resultados de sua pesquisa foi o da Economia.

Se você começou a investir em renda variável há pouco tempo, acredite, Daniel Kahneman tem muito a te dizer. 

Acompanhe este post com 7 lições sobre Psicologia Econômica para ser um investidor mais consciente e tomar decisões muito mais saudáveis na Bolsa de Valores!

1- Os nossos instintos não seguem a lógica do mercado

O cérebro é a ferramenta mais poderosa do ser humano. Mas como será que ele funciona quando estamos operando na Bolsa de Valores?

Nós crescemos desenvolvendo crenças que correspondem ao ambiente em que estamos inseridos, de maneira que, quando viramos adultos, essas crenças já estão consolidadas. Mas durante a nossa vida, nós aprendemos lições que não servem para o mercado financeiro e é muito difícil mudar a nossa cabeça para beneficiar os nossos investimentos.

Por isso, os estudos de Daniel Kahneman indicam que o ser humano não se sente bem quando está operando “corretamente” na Bolsa, uma vez que o mercado de ações e a sua lógica são muito diferentes de nossos instintos. Raciocinar de acordo com o mercado acionário é um dos grandes desafios para a maioria dos investidores. Mudar as nossas crenças limitantes, portanto, é muito necessário.

E esses vieses cognitivos são difíceis de serem eliminados

O ser humano está cheio de padrões cognitivos que não ajudam em nada no mercado de ações, possuindo comportamentos viscerais relacionados à perda, ao ganho e ao risco que vão contra a matemática do mercado. Esses vieses cognitivos são comportamentos naturais e documentados pela comunidade de psicologia.

Apesar de nenhum investidor querer isso, esses comportamentos padrões são difíceis de serem eliminados, por mais que nós queiramos. Mas é preciso que você tente percebê-los e reflita sobre como eles podem atrapalhar os seus investimentos. Afinal, decisões econômicas saudáveis precisam de um equilíbrio entre razão e emoção.

2- A diferença entre a intuição e a razão

A intuição funciona pelo sistema límbico, que nada mais é que o nosso sistema de fuga e do medo. Esse sistema portanto está ligado a emoções e sentimentos, é rápido, automático e exige uma resposta imediata de nossa parte.

Já a razão funciona pelo sistema pré-frontal do cérebro e ela está ligada à lógica, à capacidade de pensar e de planejar, de ter controle e construir processos. Esse sistema nos exige respostas pensadas a resultados de longo prazo.

3- É preciso manter a positividade, acima de tudo

Erros no mercado de ações acontecem e é importante que você não comece a pensar ou agir negativamente por conta disso. Esse tipo de comportamento só irá influenciar da maneira errada os rendimentos das suas operações.

Para isso, é fundamental que você não opere na Bolsa de Valores usando a sua emoção ou intuição no lugar da razão. Esteja ciente dos seus sentimentos e dos comportamentos padrões do ser humano que você reproduz sem querer, e que quer evitar na hora de investir. Pensamentos e atitudes positivas ajudam nas operações mais do que você imagina e fazer operações saudáveis, em termos matemáticos e psicológicos, só vai favorecer os seus resultados.

4- A Teoria da Perspectiva (Prospect Theory)

A Teoria da Perspectiva foi a teoria que deu um prêmio nobel para Daniel Kahneman e, realmente, ela é genial. Primeiramente, ela se baseia na verdade de que fatores emocionais, cognitivos e sociais estão presentes em decisões econômicas, sejam elas pessoais ou institucionais.

Daniel Kahneman diz que os ganhos trazem alegrias e as perdas trazem dores. Apesar desta constatação parecer uma verdade óbvia, ela desencadeia em várias outras depois, todas importantíssimas para investidores.

O cientista descobriu, a partir disso, que a dor da perda é 2x maior que a alegria associada a um ganho e esse foi o grande “pulo do gato” da teoria. Entenderemos mais sobre ela logo adiante.

5- A nossa percepção de um resultado igual pode ser diferente

Curioso isso, não é mesmo? A nossa percepção de um resultado igual pode ser diferente…o que isso quer dizer?

Vamos explicar essa constatação com um exemplo. Qual é a diferença entre ganhar R$500,00 apenas e ganhar R$1000,00, para depois perder R$500,00?

Nas duas situações você acabou com o mesmo saldo, a mesma quantia em mãos, mas a sua experiência em cada vivência é diferente. Matematicamente o resultado é o mesmo, mas as perdas são mais sentidas do que os ganhos, então nós perceberemos essas situações similares, com resultados idênticos, de maneira distinta.

Se o investidor ganha R$50,00 e depois perde esses mesmos R$50,00, ele pode ter acabado com um resultado neutro, sem perdas, que ele se lembrará apenas da quantia que perdeu, esquecendo-se da quantia que ganhou em primeiro lugar. Afinal, a dor da perda é 2x maior que a alegria associada a um ganho.

6- A dor influencia a nossa tomada de decisão

Para comprovar a sua teoria, Daniel Kahneman realizou um teste composto por duas perguntas. Vamos à primeira:

1- Você tem R$1000,00 na sua conta. Há duas opções:

  • Opção A – Se você escolher esta, você tem 50% de chance de ganhar mais R$1000,00 e 50% de chance de não ganhar absolutamente nada.
  • Opção B – Se você escolher esta, você tem 100% de chance de ganhar R$500,00 reais, com certeza.

Qual das duas situações você escolhe estar? Antes de explicarmos o que o cientista cognitivo queria com isso, vamos à segunda questão:

2- Desta vez, você tem R$2000,00 na sua conta. Novamente, há duas opções:

  • Opção A – Se você escolher esta, você tem 50% de chance de perder R$1000,00 e 50% de chance de não perder absolutamente nada.
  • Opção B- Se você escolher esta, você tem 100% de chance de perder R$500,00, com certeza.

Qual das duas situações você escolhe?

Daniel Kahneman percebeu com seu experimento que a grande maioria das pessoas marcava a opção B para a primeira pergunta e a opção A para a segunda pergunta. Foram as opções que você marcou também?

Por que essa mudança de comportamento?

Porque o ser humano toma mais riscos para evitar uma dor, quando ela está relacionada a uma possibilidade de perda. Quando já temos um ganho garantido, não tomamos tantos riscos. Nós nos conformamos com o retorno recebido, mesmo ele sendo pequeno, mesmo tendo possibilidades de ganharmos mais.

7- A teoria aplicada ao comportamento do investidor

O que tudo isso tem a ver com investimentos na Bolsa de Valores? Bom, para começar, 90% dos traders iniciantes perdem dinheiro porque operam pela intuição.

O sucesso de um investidor é operar contra a sua intuição e manter o controle emocional. Operar com emoção é um convite para perder todo o seu dinheiro rapidamente.

Qual é a lógica do mercado de ações?

  • Operar sempre com baixo risco, assim você diminui a sua emoção no investimento;
  • Cortar o trade negativo imediatamente (sem tentar fazer média com o dinheiro perdido);
  • Deixar o trade positivo continuar até o fim da tendência (para aumentar a sua média de ganho).

Qual é a natureza do ser humano?

  • Cortar o trade positivo logo no início, porque já estamos satisfeitos com os ganhos, mesmo que pequenos;
  • Dar chances pro trade negativo e não fazer o stop, porque arriscamos mais quando há dor e perdas envolvidas, mesmo que isso implique em aumentar os nossos riscos também.

Veja abaixo uma ilustração dos mesmos 10 trades investidos, mas por 3 perfis diferentes de investidores. O primeiro é um investidor saudável, o segundo é um investidor intermediário (que soube colocar um stop em suas aplicações, mas não soube deixar o trade positivo até o fim), e um terceiro investidor que age com base em suas intuições (não sabendo limitar suas perdas e não deixando o trade positivo até o fim).

Daniel Kahneman

A falta de conhecimento sobre o mercado de ações, a dificuldade de medir os seus riscos na Bolsa de Valores e o medo de colocar um stop e arcar com os prejuízos, motivado pela dor de uma perda, são fatores de estresse para qualquer investidor e para qualquer investimento. Eles motivam a compra de um ativo pela dor e incentivam o investidor a correr mais riscos, riscos estes que ele talvez nem possa correr.

Então, para atuar de acordo com a matemática do mercado, identifique quais são os traços da sua personalidade que batem com esses comportamentos intuitivos, que podem ser muito nocivos para os seus investimentos. Assim, será possível alinhar-se com o mercado de ações e investir de maneira mais saudável.

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