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Desafios da educação financeira no Brasil e dicas para superá-los

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Segundo dados do Banco Central (BC) divulgados em setembro deste ano, os brasileiros estão cada vez mais endividados. Só nos últimos doze meses, o volume de crédito concedido pelas instituições financeiras registrou alta de 18,2%.

Em meio ao cenário atual, um importante fator chama a nossa atenção quando o assunto são as finanças dos brasileiros: a educação financeira. Até hoje, falar de (e sobre) dinheiro ainda é um tabu para muita gente – sem contar que, culturalmente, temos uma tendência a negligenciar a importância de estabelecermos um bom relacionamento com o nosso patrimônio. 

Ainda temos um longo caminho a trilhar, mas o primeiro passo você já está dando ao buscar informações sobre o assunto. Continue a leitura e conheça os principais desafios da educação financeira no Brasil – e nossas dicas para superá-los!

Mas, afinal, o que é educação financeira?

Vivemos em um mundo extremamente consumista e, se não tivermos disciplina, podemos facilmente acabar endividados, gastando mais do que deveríamos. Para não cairmos nessas armadilhas, precisamos trazer para discussão um tema ainda deixado de lado (ou até mesmo desconhecido) por grande parte dos brasileiros: a educação financeira.

Educação financeira não é sinônimo de “saber juntar dinheiro”, muito menos de “ter muito dinheiro”. Vai muito além: ela está relacionada à conscientização sobre as oportunidades e riscos do mercado que estão ao nosso alcance diariamente – para que possamos conquistar nossa independência financeira.

Vale lembrar que a educação financeira independe de classe social, sendo importante para todos que desejam viver uma vida mais sustentável do ponto de vista financeiro. 

Pare um pouco pra pensar em todos os benefícios que você teria em sua vida se conseguisse se planejar a curto, médio e longo prazo: ficar com as contas em dia, criar uma reserva para emergências, fazer o seu dinheiro trabalhar para você… Essas são apenas algumas das inúmeras vantagens de construirmos uma boa relação com o nosso dinheiro.

Cenário atual da educação financeira no Brasil

Infelizmente, a educação financeira não é uma ferramenta presente na vida de grande parte dos brasileiros. Na maioria das vezes, acabamos tendo contato com ela depois de mais velhos, o que já é suficiente para comprometer nossa saúde financeira.

Para se ter uma ideia, cerca de 45% dos brasileiros não fazem controle financeiro e, dentre os que fazem, mais de 20% utilizam a própria memória para gerir as suas finanças, de acordo com a última pesquisa do SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), de 2020.

Sem entender a importância da educação financeira, muitas pessoas sequer conhecem o conceito de investir – e, até hoje, acabam deixando o dinheiro (parado) em um dos tipos menos rentáveis de investimento: a caderneta de poupança.

No início de 2021, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) divulgou a marca de 235 milhões de contas ativas na poupança – número que ainda surpreende os economistas e evidencia uma outra importante questão: grande parcela desse público também não tem conhecimento sobre outras modalidades de investimento mais rentáveis.

Caminhos para superar os desafios da educação financeira no Brasil

Educação Financeira deve vir desde cedo

Investir em educação é o caminho e a base para mudarmos qualquer realidade. Com a educação financeira, não seria diferente.

De acordo com o Serasa, cerca de 25% da população endividada tem entre 18 e 30 anos, dado que reforça a importância de a educação financeira no Brasil ser pauta na vida de jovens desde muito cedo.

Tanto nas escolas quanto dentro de casa, desenvolver em nossas crianças e adolescentes a consciência da construção de um bom relacionamento com o dinheiro é o primeiro passo dessa jornada – e, não por acaso, o mais importante deles.

ENEF: você sabe o que ela propõe?

A Estratégia Nacional de Educação Financeira – ENEF – é uma ação para promover a educação financeira no Brasil. A ENEF possui o propósito de estimular o exercício da cidadania, ao prover intervenções que auxiliem os brasileiros a serem financeiramente mais conscientes.

A ENEF possui estratégias diversas para ampliar a disseminação e adesão ao tema da educação financeira no Brasil. Um exemplo é a websérie de 13 episódios chamada R$100 Neuras, com linguagem voltada ao público jovem, relatando os desafios com a gestão das despesas e sugerindo dicas para uma administração adequada do dinheiro.

Precisamos aprender a lidar com nossos impulsos

Existem algumas dicas que já são quase senso comum e que ajudam muito no dia a dia, mas nem todo mundo as coloca em prática – o que nos faz pensar que muita gente não as conhece.

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Por isso, achamos que vale a pena citá-las por aqui, como alternativas para driblarmos nossos impulsos relacionados ao consumo:

  • Faça uma lista das coisas que deseja adquirir e conquistar, e planeje-se para alcançá-las aos poucos, com organização e paciência;
  • Sempre que puder, pague suas compras e despesas no débito – evitando ao máximo utilizar o cartão de crédito, pois ele por si só já é uma dívida;
  • Uma outra dica legal é criar a “lista dos 30 dias”. Funciona assim: toda vez que bater aquela vontade de comprar algo, coloque seu desejo em uma lista de espera de 30 dias. Se, depois desse tempo, você chegar à conclusão de que realmente precisa e ou vale a pena adquirir aquele item, sinal verde. Caso contrário, o impulso e a ansiedade momentânea já terão passado – o que contribui para o processo de racionalização. Em outras palavras: passado esse período, ficará muito mais fácil dizermos não!

Além disso, caso você tenha alguma dívida de longo prazo com juros altos, são grandes as chances de ela virar uma bola de neve. Nessa situação, você pode buscar um empréstimo com taxas de juros reduzidas e um prazo maior de pagamento. Assim, você consegue quitar as dívidas caras para reorganizar sua vida financeira.

3 livros sobre educação financeira

Educação financeira é um assunto complexo e interessante ao mesmo tempo, não é mesmo? Que tal descomplicar esse processo?!

Logo abaixo, você confere algumas indicações de leitura sobre dinheiro e mentalidade – afinal, esses são assuntos que andam de mãos dadas. Quanto mais fundo você mergulhar nesse universo, mais certeza terá disso!

  1. Rápido e Devagar – Duas Formas de Pensar

O livro é um best-seller escrito pelo psicólogo laureado em Economia, Daniel Kahneman, que traz insights sobre a tomada de decisão nos negócios e na vida pessoal – e nos auxilia a identificar e criar recursos para nos protegermos de nossas falhas mentais.

  1. Pai rico, pai pobre, 

Escrito por Robert T. Kiyosaki e Sharon Lechter, o livro conta a história de dois homens: um pai inteligente e honesto que nunca atingiu a liberdade financeira, e outro que, sem nunca ter concluído o segundo grau, veio a se tornar o homem mais rico do Havaí.

  1. Os segredos da mente milionária

De T. Harv Eker, Os segredos da mente milionária fará você refletir sobre diversas crenças que nutrimos desde a infância e que moldam o nosso destino financeiro. O autor mostra como substituir, na prática, uma mentalidade destrutiva por hábitos que geram prosperidade.

Como começar a investir

Investir corretamente também é um excelente caminho para melhorarmos o relacionamento com o nosso dinheiro – sem contar que, dessa forma, ainda o colocamos para trabalhar a nosso favor.

Aos poucos, a população brasileira está descobrindo que investir não é um processo complexo, restrito à uma pequena parcela da população. Investir na Bolsa de Valores, por exemplo, pode ser muito mais rentável do que investimentos mais tradicionais. Não por acaso, os investimentos em renda variável vêm ganhando força e alcançando uma marca nunca vista antes no país.

Dados divulgados pela B3 em setembro deste ano mostram que a Bolsa de Valores já conta, hoje, com 3,8 milhões de contas cadastradas – frente às 2,2 milhões registradas em 2019, o que representa um aumento de 43%.

Mas um ponto que não podemos esquecer: não são todos os investidores que possuem perfil para investir na Bolsa de Valores. Apesar de atrativos pela alta rentabilidade, investimentos em renda variável são igualmente mais arriscados, o que exige uma análise de cada investidor para entender quais são, de fato, os melhores investimentos de acordo com seus objetivos e características pessoais.

Sabendo de tudo isso, é hora de colocar a mão na massa. Acompanhe algumas dicas para começar a investir o seu dinheiro:

  1. Organize suas contas

Antes de mais nada, coloque no papel suas receitas e despesas para poder se planejar para quitar quaisquer dívidas que possam existir.  Feito isso, veja quanto terá disponível para poupar todo mês e destinar aos investimentos. Lembre-se: para começar a investir, você não precisa de muito dinheiro. A partir de R$ 30, já é possível começar!

  1. Descubra seu perfil de investidor

Como falamos anteriormente, é super importante entender quais são nossas características, particularidades, objetivos e metas antes de começar a investir. Para ser bem sucedido no mercado financeiro, esse passo é primordial.

  1. Conheça os diferentes tipos de investimentos e leia sobre o mercado

Pesquise sobre os tipos de investimentos existentes (são diversos, para todos os perfis de investidores!). Não adianta nada conhecer superficialmente sobre o assunto para começar a investir e parar por aí. Além de nossos objetivos e momentos de vida estarem em constante mudança, vale lembrar que o mercado segue a mesma lógica: está sempre mudando também.

Entender o ambiente que você está entrando é fundamental para ter sucesso com suas finanças. Estude o funcionamento do mercado, entenda as estratégias e análises utilizadas e tudo que pode influenciar em suas operações.

Que tal começar a sair da zona de conforto agora mesmo?! Só depende de você! Se esse artigo foi útil, deixe um comentário para a gente aqui no blog. Queremos saber sua opinião!

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