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3 pesquisas que renderam um Nobel de Economia

O Prêmio Nobel é um dos principais títulos concedidos anualmente a cidadãos que se destacam em pesquisas e trabalhos em prol da humanidade, sendo uma referência a Alfred Nobel – autodidata e inventor da dinamite que viveu entre 1833 e 1896. 

Na década de 60, além das 5 categorias instituídas inicialmente – Medicina, Física, Química, Literatura e Paz – foi incorporada mais uma importante área do conhecimento à premiação: as Ciências Econômicas, após a entrega do primeiro Nobel de Economia – oficialmente conhecido como Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas.

O crescimento no número de pesquisas voltadas ao entendimento do comportamento humano e seus impactos no mercado financeiro gerou a necessidade de se reconhecer, mundialmente, importantes estudos e contribuições trazidas pelos estudiosos dentro dessa área. A cerimônia de entrega das premiações nas seis categorias existentes é realizada anualmente no mês de dezembro, em Estocolmo, na Suécia, e em Oslo, na Noruega.

Selecionamos três pesquisas que renderam o prêmio Nobel de Economia para te auxiliar no entendimento do mercado financeiro e da psicologia econômica dos seres humanos – perspectivas fundamentais para quem quer ser bem-sucedido ao investir. Vamos lá?

1- Daniel Kahneman (2002)

Como sabemos, o mercado é, por natureza, incerto e inconstante. Esses aspectos geram um interesse maior por parte de acadêmicos que visam estudar, também, o comportamento humano. 

Isso porque, geralmente, as decisões e escolhas que fazemos quando estamos imersos em um ambiente de incertezas seguem o nosso instinto, e não a lógica e a razão. Com certeza, você já deve ter ouvido alguém falar para você “esfriar a cabeça” antes de resolver determinado problema ou tomar alguma decisão. A lógica é a mesma: movidos pela emoção – associada diretamente aos padrões cognitivos e comportamentais que adquirimos ao longo da vida – não conseguimos racionalizar devidamente o(s) fato(s) em questão.

É por isso que é tão importante buscarmos um equilíbrio entre a razão e a emoção – principalmente ao operar no mercado. Tomar decisões saudáveis não depende somente da nossa capacidade técnica: o equilíbrio entre esses dois tipos de respostas neuronais também faz diferença.  

A Teoria da Perspectiva

De acordo com a pesquisa de Daniel Kahneman, que fundamentou a Teoria da Perspectiva, nossa percepção de um mesmo fato pode variar em razão dos diferentes sentimentos que ele pode nos trazer. Funciona basicamente assim: ganhos nos trazem um sentimento positivo, enquanto as perdas, uma dor. 

Não há diferença entre ganhar R$500,00 e ganhar R$1000,00, para depois perder R$500,00, correto? Para o nosso cérebro, não funciona bem assim. 

A dor que experimentamos ao perder acaba sendo duas vezes maior do que a alegria associada ao ganhar. Por exemplo: sabemos que, mesmo que o investidor perca metade do valor que havia ganhado anteriormente em uma operação na Bolsa de Valores, ele continua com um saldo positivo. No entanto, nem sempre o trader enxerga essa operação de forma positiva. É aí que, tomado pelo sentimento de perda e angústia, ele acaba agindo de forma impulsiva para tentar recuperar aquele montante – e acaba perdendo o restante de seu dinheiro. 

Estar atento a esse padrão pode nos ajudar a tomar decisões mais sábias. Kahneman foi agraciado com o Nobel de Economia no ano de 2002 após trazer a Teoria da Perspectiva e suas contribuições à sociedade a público.

2- Richard Thaler (2017)

Richard Thaler, dando sequência aos estudos dentro do ramo da economia comportamental, trouxe valiosas contribuições para nós em relação aos padrões de consumo e tendências comportamentais comuns a todos os indivíduos. Em suas pesquisas – que lhes renderam o Nobel de Economia em 2017 – o economista explica por que as pessoas preferem consumir do que investir a médio ou longo prazo. 

Racionalmente, sabemos da importância de se poupar dinheiro. No entanto, tendemos a priorizar os prazeres momentâneos em detrimento das incertezas do futuro.

Essa mesma explicação também vale para o exemplo a seguir: quando temos duas opções – sendo uma delas ganhar R$ 100,00 com certeza e a outra esperar para ter a possibilidade de ganhar o dobro do valor, por exemplo – tendemos a optar pela primeira, pois nos traz uma sensação maior de segurança. Racionalizando a situação, no entanto, a segunda opção seria mais inteligente.

O efeito manada

Thaler ilustra em sua teoria, inclusive, o efeito manada recorrente no mercado financeiro – uma vez que o ser humano tende, inconscientemente, a pensar que o padrão de dada situação se manterá no futuro. Quando a Bolsa de Valores está em alta, muita gente se sente atraída a investir. 

O oposto dessa situação ocorre da mesma forma: com a desvalorização nos preços, muita gente acaba retirando seus investimentos do mercado. Apesar de serem escolhas irracionais do ponto de vista lógico, grande parte da população opta por elas quando não se atenta a esses padrões comportamentais.

3- Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer (2019)

O trio de pesquisadores premiado com o Nobel da Economia em 2019, por sua vez, recebeu as honras por contribuir para a redução da pobreza global. Banerjee, Duflo e Kremer tratam em seus estudos a pobreza como uma questão ampla influenciada por diversos fatores, indo muito além da escassez de recursos.

De acordo com a pesquisa, a pobreza pode ser mais eficazmente combatida se tratada por meio de ações direcionadas dentro das áreas de saúde e educação. Por exemplo: ao se adaptar o ensino e as unidades de saúde às necessidades das crianças de determinada região, há um ganho em relação ao desempenho escolar e a saúde infantil. 

Esses fatores influenciam diretamente na qualidade de vida das pessoas e, consequentemente, no bem-estar econômico das populações. Como resultado direto das pesquisas experimentais, milhões de crianças indianas se beneficiaram com a criação de programas de reforço escolar e com a adoção de ações preventivas voltadas à saúde.

Hoje em dia, o Nobel de Economia é uma das principais premiações dentro da esfera das ciências econômicas. As contribuições trazidas pelos acadêmicos são extremamente valiosas para o nosso entendimento do mercado e dos padrões de comportamento que frequentemente reproduzimos ao operar.

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