Títulos de dívida pública Títulos de dívida pública

Títulos de dívida pública: vale a pena investir?

6 minutos para ler

Se você tomou a decisão de começar a investir o seu dinheiro, temos uma boa notícia: você está dando um importante passo na sua vida financeira. No entanto, mais importante do que começar a investir, é saber ao certo onde (e como) aplicar o seu patrimônio tendo em vista seus objetivos.

É por isso que nem sempre o melhor investimento para você é aquele que o seu colega de trabalho, amigo ou familiar recomenda.  De uma forma geral, para ser bem-sucedido com as suas finanças, você precisa de três ferramentas: conhecer o seu perfil de investidor, traçar suas metas e estar atento às constantes mudanças no cenário político e econômico.  

Mas, afinal, investir nos títulos de dívida pública vale a pena? Se essa é a pergunta que te trouxe até aqui, não se preocupe. Continue a leitura que vamos tirar suas dúvidas sobre esse tipo de investimento.

O que são títulos de dívida pública?

Os títulos de dívida pública se enquadram na categoria de renda fixa, isso é, são investimentos que geralmente possuem um risco menor, ao passo que contam com uma rentabilidade mais previsível.

Para manter seus caixas em equilíbrio, os governos – municipais, estaduais ou federal – precisam realizar empréstimos e, para isso, emitem os títulos de dívida pública, que funcionam como uma espécie de garantia do pagamento do valor devido (acrescido dos juros do período).

Qualquer pessoa pode negociar esses títulos diretamente com o governo através do programa Tesouro Direto, criado pelo Ministério da Fazenda. Para comprar ou vendê-los por meio dessa plataforma, o investidor precisa estar cadastrado em uma corretora de valores ou instituição bancária.

Tesouro Direto

O programa Tesouro Direto comercializa diferentes tipos de títulos de dívida pública. Apesar de os mais comuns serem os títulos indexados pela taxa Selic, a escolha da modalidade deve partir do investidor, levando em conta seu perfil e seus objetivos. Conheça os três tipos disponíveis no mercado:

1-  Títulos prefixados

Ao optar pelos títulos prefixados, o investidor conhecerá as taxas de juros que sua aplicação renderá no momento da contratação até seu vencimento, pois essa modalidade não está atrelada a nenhum índice econômico. A rentabilidade pode ser obtida ao final da aplicação ou semestralmente – essa segunda opção é indicada para quem busca de uma renda extra a cada seis meses, por exemplo.

2-  Títulos pós fixados

Atrelados à taxa básica de juros da economia, a Selic, os títulos pós fixados acompanham as variações desse índice no mercado. Também chamado de Tesouro Selic, é um investimento com liquidez diária – por isso, não  costuma haver grandes perdas para o investidor caso ele precise retirar a aplicação antes do término do contrato.

3-  Títulos híbridos

Os títulos híbridos contam com uma rentabilidade prefixada aliada à variação da inflação (IPCA) – isso significa que os juros não rendem abaixo dela. Com prazos e rendimentos diversos, o Tesouro IPCA pode ter a rentabilidade devolvida ao investidor ao término do contrato ou a cada semestre, assim como ocorre na modalidade do Tesouro Prefixado.  

Vantagens e desvantagens dos títulos de dívida pública

Por serem bastante acessíveis – e mais rentáveis que a Poupança – com pouco dinheiro já é possível investir nos títulos de dívida pública: o valor mínimo para aplicação no Tesouro Direto é de 1% do valor integral do título, acima de R$ 30,00. Por se tratar de dívida pública, o investidor possui uma garantia maior do pagamento pelo governo, o que torna esse tipo de investimento mais seguro.

Essa modalidade de investimento também apresenta taxas de administração, no entanto, elas são mais baixas se comparadas a outros tipos de aplicação. Compreendem a taxa de custódia, cobrada pela Bolsa de Valores; a taxa de administração, cobrada pelos bancos e corretoras; incidência do Imposto de Renda ao término da aplicação; e o IOF, no caso de resgate antes do fim do contrato.

Apesar das vantagens, os títulos de dívida pública geralmente possuem uma rentabilidade potencial mais baixa se comparada à renda variável, por se tratarem de fundos de renda fixa.  Além disso, os retornos ao investidor flutuam de acordo com a Selic e a inflação do período.

No momento atual, devido à crise no cenário interno e externo gerada pela pandemia do coronavírus, a taxa Selic sofreu um corte do Comitê de Política Monetária (COPOM) e chegou no patamar de 2,25% ao ano. A inflação acumulada, medida pelo IPCA, também está em queda. * Esses fatores contribuem para um desempenho abaixo do esperado para alguns títulos de dívida pública – o que pode acabar tornando-os pouco atrativos ao investidor.

Afinal, vale a pena investir no Tesouro Direto?

Se você chegou até aqui, imaginamos que já deva saber a resposta para essa pergunta: investir no Tesouro Direto ou em qualquer outra modalidade valerá a pena (ou não) dependendo de seus objetivos e de seu perfil de investidor.

Se o seu objetivo for obter retornos a curto ou médio prazo, investir nos títulos de dívida pública pode não ser muito vantajoso em 2020 devido ao cenário de baixa dos juros e da inflação. Entretanto, existem outros tipos de investimento em renda fixa que podem ser interessantes no momento, como as debêntures, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) – esses dois últimos são isentos de tributação do Imposto de Renda.

Além disso, caso você se enquadre nos perfis de investidor moderado ou agressivo, por exemplo, você também tem a possibilidade de investir em renda variável, uma modalidade que pode ser mais rentável.

Se você for um investidor iniciante, é importante seguir os especialistas do mercado para conhecer mais sobre esse tipo de investimento e diversificar sua carteira – minimizando assim os riscos provenientes da renda variável.

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*Dados de junho de 2020.

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